Forças americanas realizaram ataques contra alvos militares na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, na segunda-feira (2). Washington classificou a operação como defensiva, enquanto Donald Trump afirmou que um acordo com o Irã ainda é possível.
A ofensiva ocorreu na véspera das eleições legislativas dos Estados Unidos.Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra o Irã nesta segunda-feira (2), atingindo alvos militares na ilha de Qeshm, no Golfo Pérsico. A operação ocorreu na véspera das eleições legislativas americanas, que definirão o controle do Congresso durante os dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump.Segundo o jornal The Wall Street Journal, autoridades americanas classificaram a ofensiva como uma operação defensiva, destinada a impedir que forças iranianas ameaçassem embarcações comerciais e militares no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. A informação foi confirmada à CNN por três autoridades dos Estados Unidos. Uma delas afirmou que a ação ocorreu depois que forças iranianas dispararam contra uma aeronave americana. "Foi uma medida defensiva contra iranianos que estavam utilizando mísseis terra-ar contra ativos americanos", declarou uma das autoridades à emissora. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, não anunciou oficialmente os ataques. De acordo com a agência estatal iraniana IRNA, pelo menos cinco explosões foram ouvidas na ilha de Qeshm. Moradores também relataram ter visto duas aeronaves sobrevoando a região. As autoridades americanas não divulgaram informações sobre possíveis mortos, feridos ou danos provocados pela operação. EUA realizam ataques sem divulgação oficial Segundo o The Wall Street Journal, as forças americanas vêm realizando operações militares de menor escala contra alvos iranianos nas últimas semanas, sem anunciá-las publicamente. A estratégia teria como objetivo responder a ameaças contra embarcações e instalações militares dos Estados Unidos sem transmitir a impressão de que Washington pretende retomar uma campanha militar de grande proporção. Qeshm fica na entrada do Estreito de Ormuz e abriga instalações militares estratégicas, incluindo uma base naval e estruturas subterrâneas de armazenamento de mísseis. A ilha também possui uma importante estação de dessalinização, utilizada para transformar água do mar em água própria para consumo. O Pentágono reforçou a presença militar americana na região e mantém diferentes opções de resposta caso as hostilidades aumentem, segundo autoridades ouvidas pelo jornal. Trump minimiza risco de nova guerra com o Irã Apesar dos ataques, Donald Trump procurou reduzir as expectativas de uma nova escalada militar. Na segunda-feira, o presidente afirmou que os Estados Unidos já haviam vencido a guerra contra o Irã e questionou se os confrontos recentes poderiam ser classificados como uma guerra. "Tivemos uma guerra com o Irã. Vencemos", declarou a jornalistas em Washington. "Não sei se podemos sequer chamar isso de guerra, porque não temos combatido há meses", acrescentou. Questionado se pretendia ordenar novos ataques depois das eleições legislativas desta terça-feira (3), Trump respondeu que não. Entretanto, autoridades da administração americana disseram ao The Wall Street Journal que o presidente continua avaliando diferentes possibilidades de ação militar. Na Truth Social, Trump também comentou a queda dos preços do petróleo e afirmou acreditar na possibilidade de um entendimento diplomático. "Os preços do petróleo estão caindo como pedras (...) porque as pessoas sentem que não haverá guerra com o Irã. O Irã quer um acordo, o mais rápido possível. Isso pode acontecer!", escreveu. As declarações ocorreram um dia depois de Trump ter mencionado a possibilidade de aplicar um novo golpe militar contra o país. Israel pressiona por novos ataques Enquanto Washington e Teerã discutem uma possível solução diplomática, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estaria pressionando os Estados Unidos a realizar uma nova ofensiva contra o Irã. Segundo a Associated Press, duas autoridades da região e uma terceira pessoa familiarizada com as negociações afirmaram que Netanyahu defende novos ataques após as eleições legislativas americanas. A proposta israelense ocorre em meio às preocupações com a capacidade militar iraniana e com a possibilidade de retomada dos confrontos em maior escala. Países da região, entretanto, têm alertado para os riscos de uma escalada que envolva outros grupos armados do Oriente Médio. Irã confirma negociações intensas com os Estados Unidos O governo iraniano também confirmou que mantém negociações indiretas com Washington para tentar evitar uma nova fase de confrontos. Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as discussões estão sendo conduzidas por intermédio de países mediadores. "Considerando a sensibilidade e a gravidade da situação atual, as consultas e as deliberações são muito intensas", declarou à agência estatal IRNA. O ministro destacou a participação do Catar e do Paquistão nas negociações, classificando o trabalho desses países como uma mediação ativa. O vice-presidente americano, JD Vance, também demonstrou otimismo com a possibilidade de um entendimento. Segundo ele, Trump e sua equipe avaliam positivamente as perspectivas de uma solução negociada para o conflito. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ainda que o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, concedeu poderes adicionais ao governo para conduzir as negociações. "Estamos nos esforçando para resolver o problema por meio do diálogo. Nesse sentido, o líder supremo concedeu determinados poderes ao governo", declarou Pezeshkian, segundo a IRNA.FONTE MUNDO AO MINUTO NOTICIAS.

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