Novos documentos mostram que a plataforma desembolsou cerca de US$ 587 milhões (R$ 3 bilhões) pela InterPositive. A empresa também confirmou o uso de inteligência artificial em aproximadamente 300 produções ao longo de 2026.
A Netflix anunciou, em março deste ano, a compra da InterPositive, startup de inteligência artificial fundada pelo ator e diretor Ben Affleck. Na ocasião, o valor da operação não foi divulgado, mas novos documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos revelaram mais detalhes do negócio.De acordo com os registros, a Netflix desembolsou cerca de US$ 587 milhões (R$ 3 bilhões) em dinheiro.Segundo o site TechCrunch, a aquisição inclui as tecnologias desenvolvidas pela InterPositive, voltadas à aceleração dos processos de pós-produção, e toda a equipe da empresa. Ben Affleck também passará a atuar na Netflix como consultor sênior.Fundada em 2022, a InterPositive surgiu depois que Affleck acompanhou o avanço inicial da inteligência artificial na produção cinematográfica e concluiu que as ferramentas disponíveis ainda não atendiam adequadamente às necessidades dos profissionais do setor.O ator e diretor afirmou ainda que sentia uma responsabilidade com os colegas e com a indústria de preservar o poder da criatividade humana.“Quis desenvolver um fluxo de trabalho capaz de registrar o que acontece em um set, usando o mesmo vocabulário de diretores e diretores de fotografia, além de oferecer a consistência e os controles esperados por esses profissionais”, declarou Affleck.Netflix admite uso de IA em 300 produções em 2026A Netflix revelou que utilizou inteligência artificial em cerca de 300 produções ao longo deste ano, principalmente em trabalhos de pós-produção. A informação foi divulgada em uma carta enviada aos investidores após a apresentação dos resultados financeiros do segundo trimestre.A empresa afirmou que o uso de inteligência artificial generativa está crescendo rapidamente entre seus parceiros criativos e já abrange diferentes etapas da produção, desde a concepção e a pré-visualização até a pós-produção e a entrega do conteúdo.“Estamos recorrendo cada vez mais a essas ferramentas porque elas permitem alcançar resultados de maior qualidade, em menos tempo e com custos inferiores aos dos métodos tradicionais. Em alguns casos, determinadas cenas e sequências importantes não poderiam ter sido incluídas sem a inteligência artificial generativa”, afirmou a plataforma.Entre as produções citadas estão a brasileira “Brasil 70: A Saga do Tri”, a indiana “Glory” e a norte-americana “The American Experiment”.Os projetos usaram a tecnologia para produzir sequências mais complexas, como a ampliação digital de multidões, a recriação de batalhas históricas e a elaboração de planos gerais destinados à construção de universos visuais.Em seu site, a Netflix afirma que essas ferramentas podem representar uma ajuda valiosa, desde que sejam utilizadas de maneira transparente e responsável.“Para apoiar produções em escala mundial e permanecer alinhados às melhores práticas, esperamos que todos os nossos parceiros informem à Netflix qualquer uso planejado de inteligência artificial generativa, especialmente à medida que surgem novas ferramentas com diferentes capacidades e riscos”, acrescentou a empresa.No segundo trimestre, a Netflix registrou lucro líquido de US$ 3,4 bilhões (R$ 17,4 bilhões), abaixo dos US$ 5,3 bilhões (R$ 27,1 bilhões) contabilizados nos três meses anteriores.A receita alcançou US$ 12,6 bilhões (R$ 64,4 bilhões), avanço de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior e resultado próximo das projeções do mercado.Ao comentar os resultados, o codiretor-executivo Ted Sarandos afirmou que grandes obras continuam dependendo do talento de grandes criadores e que a inteligência artificial não altera essa realidade.“O que ela faz é oferecer ferramentas melhores para transformar ideias em realidade. Os filmes continuam sendo feitos por pessoas. A inteligência artificial apenas ajuda a produzi-los de maneira melhor”, concluiu.FONTE TECH AO MINUTO NOTICIAS.
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