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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Galípolo diz que BC será transatlântico em ano de incerteza e evita sinalizar rumo dos juros.

 

Para os próximos anos, indicou que a agenda do BC estará centrada na "estabilidade", tanto monetária quanto financeira. 

"Avançamos muito em competição e inclusão. Agora, a ênfase será estabilidade", afirmou.O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou, nesta quarta-feira (11), que a autoridade monetária está em busca de dados adicionais que reforcem a confiança necessária para iniciar um ciclo de redução na taxa básica de juros, a Selic, a partir de Março. Atualmente, os juros brasileiros encontram-se em 15% ao ano."O Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças", disse Galípolo, ao participar do CEO Conference Brasil, evento promovido pelo BTG Pactual. Segundo Galípolo, a palavra-chave do momento é "calibragem". Ele afirmou que o BC seguirá dependente dos dados e não pretende oferecer sinalizações adicionais sobre os próximos passos do Copom (Comitê de Política Monetária) além do que já foi comunicado. O presidente do BC negou que o uso recente dos termos "serenidade" e "parcimônia" representaria alteração na estratégia da instituição. "Não há nenhuma mudança de função de reação", afirmou. "Sobre o resto do ano, qualquer sinalização corre o risco de ser frustrada e causar mais dano do que ajudar", disse ele, referindo-se ao cenário incerto de geopolítica, mudanças na política econômica dos Estados Unidos e as eleições brasileiras. Galípolo afirmou que a resiliência do mercado de trabalho segue um ponto de atenção, com desemprego em níveis historicamente baixos, e que os salários crescem acima da inflação e da produtividade -fator que, segundo ele, pressiona a dinâmica de preços. Ele defendeu que o país avance na agenda de produtividade para permitir crescimento mais sustentável e juros mais baixos no longo prazo. "A melhoria de bem-estar está calcada em ganhos de produtividade." Ao tratar do regime de metas de inflação, disse que o patamar brasileiro está alinhado ao de outros países e elogiou declarações recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em defesa da meta. Para Galípolo, o debate central deveria ser outro: por que o Brasil precisa manter juros estruturalmente mais elevados que seus pares e, ainda assim, enfrenta dificuldade para convergir a inflação. Sobre a volatilidade recente do câmbio, Galípolo disse que o BC já atuou de formas opostas em momentos distintos: sem intervir em um fim de ano e promovendo, no seguinte, a maior intervenção cambial da história recente. "A diferença foi a realidade." Para ele, o Brasil se beneficiou recentemente de uma reavaliação global de riscos, com investidores diversificando posições fora dos Estados Unidos.  Ainda assim, ponderou que não está claro se esse movimento é estrutural. Segundo a avaliação dele, a agenda econômica do governo americano tenta resolver um dilema complexo: manter o dólar como moeda de reserva internacional sem sustentar déficits elevados em conta-corrente. Para o Brasil aproveitar o momento, disse, é preciso avançar em reformas que aumentem a atratividade ao investimento privado. "As vantagens competitivas estão colocadas. Depende de nós." FOCO EM ESTABILIDADE Questionado sobre episódios recentes no sistema financeiro, incluindo a liquidação do Banco Master, Galípolo afirmou que o BC discute aperfeiçoamentos regulatórios, como mudanças nas regras do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), limites de alavancagem e maior atenção ao descasamento entre ativos e passivos. Ele agradeceu publicamente o apoio da Polícia Federal nas investigações e disse que o aprimoramento da supervisão é contínuo. "É um trabalho de polícia e ladrão. Você fecha uma porta, tentam abrir outra." Para os próximos anos, indicou que a agenda do BC estará centrada na "estabilidade", tanto monetária quanto financeira. "Avançamos muito em competição e inclusão. Agora, a ênfase será estabilidade", afirmou. Sobre as duas vagas abertas na diretoria do BC, limitou-se a dizer que a indicação é prerrogativa do presidente da República e defendeu que a política monetária dependa cada vez menos de nomes e mais do arcabouço institucional. "Eu sonho com o dia em que ninguém saiba quem é o presidente do Banco Central", disse.Fonte Economia ao Minuto Noticias.

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