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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Alta do petróleo pode reduzir déficit do Brasil para até 0,1% do PIB em 2026, diz IFI.

Segundo a instituição, o aumento do preço do barril do petróleo tipo Brent melhora o resultado primário, embora o país deva continuar registrando déficit em 2026 e 2027.

A disparada do preço do petróleo em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã deve pressionar a inflação, mas pode aliviar as contas públicas brasileiras -reduzindo o déficit em até 0,6% do PIB, segundo a IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado), em relatório publicado nesta quinta-feira (16).Segundo a instituição, o aumento do preço do barril do petróleo tipo Brent melhora o resultado primário, embora o país deva continuar registrando déficit em 2026 e 2027. Sem choque de preços, a IFI projeta resultado negativo de 0,7% do PIB em 2026. Caso o barril se mantenha em torno de US$ 97 até o fim do ano, o déficit cairia para cerca de 0,1%. Para 2027, a estimativa é de resultado primário negativo em 1,2% do PIB sem choque. Com o Brent ao redor de US$ 108, o rombo seria menor, de 0,6% do PIB. O choque favorece a arrecadação por dois canais: diretamente, via impostos, royalties e participações do Estado em empresas de petróleo; e indiretamente, com a alta da inflação, que amplia a base tributária. Os ganhos fiscais poderiam ser maiores caso o governo não adotasse medidas para mitigar os impactos da alta dos combustíveis. Foram concedidos subsídios ao diesel e ao GLP (gás de cozinha), além do adiamento de cobranças tarifárias sobre empresas aéreas. Se o preço do barril permanecer elevado, a inflação deve pressionar despesas a partir de 2027, especialmente aquelas indexadas ao salário mínimo, como benefícios previdenciários, BPC, auxílio-desemprego e abono salarial. Segundo Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, as estimativas ainda são preliminares e cercadas de incerteza. "Não se pode cravar qual será o comportamento do preço do barril e dos derivados nem os efeitos sobre a inflação global e sua transmissão para cada país", afirma. Nos cálculos da IFI, são considerados todos os gastos do governo. Já nas contas oficiais, como as divulgadas nesta quarta-feira (15), parte dos precatórios, investimentos em Defesa e despesas extraordinárias do fundo social para educação e saúde ficam fora do cálculo, conforme permite uma emenda constitucional. Para o crescimento da dívida pública, no entanto, o que importa é o gasto efetivo. Por isso, a IFI inclui todas as despesas em suas projeções. O Ministério do Planejamento apresentou nesta quarta o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e desconsiderou os efeitos da guerra sobre o resultado fiscal, diante das incertezas do cenário. Estados Unidos e Irã disputam o controle do trânsito marítimo no Estreito de Hormuz, ligação entre o Golfo Pérsico e o oceano Índico por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo.FONTE ECONOMIA AO MINUTO NOTICIAS.

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