O homem de 37 anos foi encontrado morto no quarto enquanto seguidores assistiam à live. Polícia investiga se a morte está ligada a um desafio pago por assinantes, que envolvia consumo de uísque e cocaína em poucas horas.
Um homem de 37 anos morreu enquanto fazia uma transmissão ao vivo na madrugada do dia 31, em Vilanova i la Geltrú, na região de Barcelona, na Espanha. Sergio Jiménez foi encontrado pelo irmão, Daniel, no quarto onde dormia. Ele estava ajoelhado, com a cabeça apoiada no colchão, imóvel e com o corpo já rígido, segundo relato do jornal El Periódico. Na mão, ainda segurava o celular. Daniel tocou no irmão, percebeu que o corpo estava frio e entendeu imediatamente o que havia acontecido. “Mãe, o Sergio está morto”, disse à mãe, Teresa, que observava a cena da porta do quarto, sem conseguir entrar. Teresa foi a primeira a desconfiar de que algo estava errado. Durante a madrugada, por volta das 2h, levantou-se para ir ao banheiro e notou que a porta do quarto do filho, que morava com ela, estava entreaberta. Chamou por ele, mas não obteve resposta. “Tentei entrar, mas havia roupas ou algum objeto no chão e não consegui passar”, contou ao jornal. “Vi o Sergio ajoelhado na cama, como se estivesse rezando.” Sobre a mesa do quarto havia uma garrafa de uísque quase vazia, várias latas de bebidas energéticas e uma grande quantidade de cocaína sobre uma placa vermelha, segundo Daniel. O computador de Sergio permanecia ligado, com a câmera ativa, transmitindo tudo ao vivo. A transmissão não havia sido encerrada, e os assinantes continuavam assistindo à cena em tempo real. Comentários apareciam na tela. “Já dormiu de ressaca, Sergio?”, dizia um espectador. “Ainda não acabou a garrafa de uísque?”, questionava outro. Daniel acionou o serviço de emergência. “Mandaram tentar levantá-lo, mas não consegui porque tenho problemas na coluna. Quando toquei nele, a mão estava gelada”, relatou. Ao chegarem, os socorristas confirmaram a morte e informaram que seria necessário acionar a polícia. Desafio envolvia álcool e cocaína Tudo indica que Sergio participava de um desafio proposto pelos próprios assinantes. Eles teriam pago uma garrafa de uísque e seis gramas de cocaína. Em troca, o streamer deveria consumir tudo em menos de três horas, ao vivo. A mãe, Teresa, e os irmãos Daniel e Jordi sabiam que Sergio enfrentava problemas com drogas e fazia acompanhamento psiquiátrico. Também tinham conhecimento dos desafios transmitidos pela internet. “Foi o Jordi, meu filho mais velho, que mora nos Pirineus, quem nos alertou há alguns meses de que o Sergio fazia esse tipo de vídeo”, contou Teresa.Na tarde do mesmo dia, ela havia notado a garrafa de uísque e questionado o filho sobre a origem. “Ele disse que um ‘colega’ tinha dado. Lembrei que ele não podia beber por causa dos remédios psiquiátricos”, disse. Sergio respondeu que não havia tomado os medicamentos justamente para poder beber. A mãe pediu que ele não fizesse aquilo, mas ele ignorou o pedido e, à noite, trancou-se no quarto. Dias antes, Daniel havia feito um alerta direto ao irmão. “Sergio, ou você para com as drogas ou elas vão acabar com você.” Possível influência de outro streamer Durante o velório, um nome era frequentemente mencionado pelos presentes como alguém que teria influenciado Sergio: Simón Pérez Golarons. Ex-economista, Simón perdeu o emprego em 2017 após a circulação de um vídeo em que aparecia aparentemente sob efeito de drogas. Desde então, passou a sobreviver realizando desafios humilhantes pela internet. “Foi ele quem ensinou o Sergio a fazer esse tipo de conteúdo. Eles aparecem juntos em várias transmissões ao vivo”, relataram amigos durante a despedida. Esse tipo de prática, em que pessoas vulneráveis ou dependentes químicos se expõem e se humilham ao vivo em troca de dinheiro, não é novo e vem crescendo. O fenômeno tem sido chamado de “mendicância digital”. Outro caso semelhante ocorreu no verão de 2025, quando o streamer francês Raphaël Graven, de 46 anos, conhecido como Jean Pormanove ou JP, morreu enquanto dormia durante uma transmissão ao vivo na França. A live durava havia vários dias e contava com a participação de outros streamers. Ex-militar, Raphaël já havia sido submetido a episódios de violência, privação de sono e humilhações durante as transmissões. Mesmo diante das agressões, os envolvidos insistiam em classificar o conteúdo como humorístico.Fonte Mundo ao Minuto Noticias.
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