PGR e representante de família das vítimas afirmam que colaboração de ex-PM deve ser considerada como prova, junto com outras evidências; defesas apontam supostas mentiras e tentativa de proteger ex-vereador que foi investigado no caso.
O peso e a validade da delação do ex-PM Ronnie Lessa se tornaram o principal tema de debate nesta terça-feira (24) durante as sustentações orais de acusação e defesa no primeiro dia de sessão de julgamento do caso Marielle Franco (PSOL) no STF (Supremo Tribunal Federal).A PGR (Procuradoria-Geral da República) e os representantes dos familiares da vereadora apontaram que o relato de Lessa tem validade e deve ser avaliado como uma prova em conjunto com as demais evidências apresentadas. As defesas afirmam que o ex-PM mentiu e não teve pontos cruciais de seu depoimento confirmados de forma independente. Alegam também que o delator busca proteger outro suspeito. Os pais de Marielle acompanharam as sustentações orais, acompanhados da ministra Anielle Franco (Igualdade Racial), irmã da vereadora, e deputados do PSOL. Os votos dos ministros serão lidos na manhã desta quarta-feira (25), quando está previsto o encerramento da ação penal. São réus no processo o ex-deputado Chiquinho Brazão, seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil, e dois PMs. Eles negam as acusações. A controvérsia se dá porque a PGR não apresentou provas independentes que confirmem os relatos do ex-PM sobre contato entre ele e os irmãos Brazão, bem como entre os supostos mandantes e Rivaldo. A acusação, porém, afirma que as evidências confirmam o contexto descrito pelo delator. O defensor público Pedro Paulo Lourival Carriello, assistente da acusação em nome dos pais de Marielle, afirmou que os relatos de Lessa têm validade como prova e tiveram todo o seu contexto comprovado por provas independentes. "Essa delação não se faz isolada. Toda dinâmica narrativa pelos executores encontra suporte em várias situações já bem desenhadas, tanto na organização criminosa, que envolve os dois primeiros réus. Ela não é uma prova tarifada. Ela não vale mais, mas também não vale menos", ele disse. Em sua fala, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, afirmou que não há necessidade de "um roteiro para a valoração das palavras do colaborador, tampouco se retira completamente a relevância probatória de suas declarações". "O julgador continua livre para aferir a veracidade ou a inveracidade de determinada hipótese acusatória, inclusive mediante consideração das palavras do colaborador premiado. O que não se admite é que o juízo de culpa seja produto apenas da palavra do colaborador", disse Chateubriand.Fonte Justiça ao Minuto Noticias.
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