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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Menina de 6 anos perde pais, irmão e primo no descarrilamento na Espanha.

 

Descarrilamento deixou ao menos 40 mortos na Andaluzia, devastou famílias inteiras e levantou questionamentos sobre a segurança da linha. 

Investigação aponta possível falha estrutural nos trilhos, apesar de alertas prévios de sindicato e de recentes obras de renovação na ferrovia.Uma menina de seis anos perdeu os pais, o irmão e o primo no recente descarrilamento de trens na Espanha. A criança foi encontrada sozinha entre os destroços do acidente, que deixou ao menos 40 mortos.Já durante a noite, dois socorristas localizaram a menina vagando pela área onde dois trens saíram dos trilhos e colidiram. Desorientada e aparentemente sozinha, ela caminhava ao longo da linha férrea onde ocorreu a tragédia. Na estação de Huelva, a avó da criança, que havia se deslocado ao local após saber do acidente, foi informada de que a neta havia sido encontrada e estava bem, o que renovou momentaneamente a esperança da família. A menina viajava a lazer com os pais, o irmão de 12 anos e um primo de 23. Os cinco haviam ido a Madri para assistir a uma partida do Real Madrid contra o Levante, no sábado, e deixaram o estádio comemorando a vitória do time por dois gols. No domingo, embarcaram em um trem de alta velocidade da empresa pública Renfe para retornar a Huelva, onde moravam, sem imaginar o que estava por vir. Por volta das 19h45 no horário local, um trem da empresa privada Iryo, que fazia o trajeto entre Málaga e Madri, descarrilou e atingiu uma composição da Renfe que seguia no sentido contrário. Após a colisão, segundo o jornal El Mundo, a criança conseguiu sair do vagão destruído por uma das janelas. Ela foi levada a um hospital e precisou levar apenas três pontos na cabeça, saindo praticamente ilesa do acidente. Na manhã desta segunda-feira, familiares chegaram a receber a informação de que o irmão da menina também estaria internado no mesmo hospital, o que reacendeu a esperança. Mais tarde, porém, a informação foi desmentida. O menino não estava internado, assim como os pais da criança e o primo, que morreram no acidente. Da família de cinco pessoas que viajou a Madri, apenas a menina sobreviveu. Os Zamora Álvarez moravam em Aljaraque, perto de Huelva, e eram bastante conhecidos em Punta Umbría, onde mantinham uma loja de roupas infantis muito popular na comunidade, segundo o jornal El País. “Eram muito queridos”, lamentou o representante local José Carlos Hernández, ao destacar a forte ligação da família com a população da região.Confirmados 40 mortos A família Zamorano Álvarez é apenas uma entre dezenas atingidas pelo descarrilamento ocorrido na tarde de domingo, em Adamuz, na Espanha. Até o momento, as autoridades confirmaram 40 mortes. Outras 41 pessoas permanecem internadas, sendo 12 delas, incluindo uma criança, em unidades de terapia intensiva. As causas do acidente ainda não foram oficialmente esclarecidas, mas a investigação identificou nesta segunda-feira um elemento considerado crucial para entender o que provocou a tragédia. No local do acidente, os investigadores encontraram uma junta quebrada, responsável pela ligação entre os trilhos. De acordo com a agência Reuters, a equipe responsável pela apuração do caso identificou indícios de que a falha já existia havia algum tempo. A peça defeituosa teria provocado a abertura gradual entre as duas partes do trilho. Com a passagem constante de trens de alta velocidade, esse espaço teria aumentado progressivamente. A principal hipótese é que essa falha estrutural esteja relacionada ao descarrilamento das duas composições.Sindicato havia alertado para “desgaste severo” nos trilhos O caso ganhou um novo elemento nesta segunda-feira com a divulgação de uma carta do sindicato espanhol de maquinistas, o SEMAF, que já havia alertado para problemas graves no trecho onde ocorreu o acidente. O documento, enviado em agosto do ano passado, mencionava um “desgaste severo” nos trilhos da região. Na carta encaminhada à Administradora de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), o sindicato apontava sinais claros de deterioração na ferrovia de alta velocidade, como buracos, saliências e desequilíbrios nas linhas elétricas. Segundo o SEMAF, essas falhas provocavam avarias frequentes e causavam danos aos trens que circulavam pelo local. O alerta contrasta com a avaliação inicial do ministro dos Transportes, Óscar Puente, que classificou o acidente como “extremamente estranho”. Após consultar especialistas, ele destacou que a colisão ocorreu em um trecho reto da linha ferroviária, acrescentando que o trem que descarrilou é “praticamente novo”, com menos de quatro anos de uso, e que a via havia passado por obras recentes. Puente informou ainda que foram investidos cerca de 700 mil euros na renovação da ferrovia e que as intervenções no local do acidente foram concluídas em maio do ano passado. A carta do sindicato, no entanto, é datada de agosto de 2025, meses depois da conclusão dessas obras. Também foi confirmado que o trem envolvido no descarrilamento, fabricado em 2022, havia passado por inspeção no dia 15 de janeiro, apenas três dias antes do acidente.Fonte Mundo ao Minuto Noticias.

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