Pesquisa mostra que a saúde mental dos profissionais da medicina permanece como fator estrutural do sistema de saúde, com reflexos éticos, assistenciais e jurídicos
A campanha ‘Janeiro Branco’ que discutiu as enfermidades mentais, encerrada recentemente, reacendeu o debate sobre saúde psicológica no exercício da medicina. Dados do estudo Qualidade de vida dos médicos 2025, realizado pela Afya (união da NRE Educacional, maior grupo de faculdades de Medicina do país, criado em 1999, com a MEDCEL, marca de cursos preparatórios para prova de residência medica) entre Janeiro e abril do ano passado, apontam que 45% dos médicos brasileiros apresentam, ao menos, um transtorno nesta área, diagnosticado, como ansiedade, depressão ou burnout. O levantamento pesquisou 2.147 médicos respondentes e repete o patamar observado no pós-pandemia, em 2022, o que representou um aumento de 13% em relação à pesquisa realizada entre Julho e Agosto de 2024.Ainda, conforme o estudo, os transtornos mais recorrentes foram observados em cerca de 40% dos profissionais, que revelaram diagnóstico de ansiedade, sendo que 23,3% afirmaram que os sintomas surgiram nos últimos 12 meses. A depressão aparece em segundo lugar, com 37,6% dos médicos diagnosticados, enquanto o burnout (Síndrome de Burnout, ou, Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade) ocupa a terceira posição. No caso específico do burnout, o estudo identificou uma diferença entre diagnóstico e sintomas: 5,7% declararam possuir diagnóstico formal, enquanto 32,6% relataram sintomas compatíveis, sem busca por avaliação profissional. Público feminino Os dados indicam maior impacto entre mulheres e médicos mais jovens. Entre as médicas, a prevalência de transtornos mentais chegou a 51,8% em 2025, frente a 46,8% em 2024. Na faixa etária de, até, 35 anos, aproximadamente metade dos profissionais apresenta diagnóstico, enquanto que, entre médicos com 56 anos ou mais, 82% não relataram transtornos. O levantamento também mostrou que 6 em cada 10 médicos não se declaram satisfeitos com a própria saúde, e cerca de 25% classificam sua qualidade de vida como “ruim” ou “muito ruim”. No contexto jurídico, especialistas avaliam que a saúde mental dos profissionais deve ser observada como elemento da segurança assistencial. A advogada Fabiana Attié, especialista em direito médico, afirma que “a saúde mental do profissional da saúde precisa ser compreendida como parte da segurança assistencial, pois jornadas exaustivas e sobrecarga emocional ampliam riscos assistenciais e a exposição jurídica”. Para o advogado Helder Lucidos, também especialista em direito médico, a análise da responsabilidade civil deve considerar o contexto de trabalho. “Condições estruturais, organização do serviço, protocolos disponíveis e registros de jornada influenciam a avaliação técnica das demandas judiciais, sem afastar a responsabilização quando há falha comprovada”, esclarece. (Com agências). Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região.Fonte Jornal Contexto Noticias GO
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