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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

“Ela viaja, eu vou ao cemitério”: mãe de Miguel cobra Justiça.

Quase seis anos após a morte do menino que caiu de prédio no Recife, Mirtes Renata critica demora no julgamento dos recursos e afirma que condenada por abandono de incapaz com resultado morte segue em liberdade enquanto a sentença não é cumprida.

Quase seis anos após a morte de Miguel Otávio Santana da Silva, a mãe do menino, Mirtes Renata, voltou a cobrar Justiça nas redes sociais. Nesta quarta-feira, ela publicou um desabafo sobre a demora no andamento do processo que condenou a ex-patroa, Sari Corte Real, por abandono de incapaz com resultado morte.Condenada em 2022, com pena posteriormente reduzida, Sari responde em liberdade enquanto a ação segue em fase de recursos. Para Mirtes, a sensação é de impunidade. “Sari segue vivendo sua vida normalmente. Viaja, tira férias na Europa com seus filhos, faz planos, segue sorrindo. Eu preciso lutar por justiça e para que meu neguinho não seja esquecido. Ela leva os filhos para conhecer Paris. Eu vou ao cemitério para ver meu filho”, escreveu.Em outro trecho, ela comparou a própria rotina com a da condenada. “Condenada, mas livre para viajar e ter tempo em família. E eu, sem o cumprimento da sentença, condenada a viver sem meu filho. Eu nunca mais poderei viajar com Miguel. Nunca mais poderei mostrar o mundo a ele. Meu filho sequer teve a chance de conhecer plenamente a terra onde nasceu.” Mirtes também direcionou questionamentos ao Tribunal de Justiça de Pernambuco sobre o julgamento dos recursos. “Quando será marcada a data do julgamento dos recursos? Quando teremos uma resposta que realmente represente justiça? Quando a condenação deixará de ser apenas no papel?”, perguntou. O caso aconteceu em 2 de junho de 2020, no Condomínio Píer Maurício de Nassau, no Centro do Recife. Na ocasião, Mirtes havia descido para passear com o cachorro da família para quem trabalhava, enquanto Miguel ficou no apartamento. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o menino entrou sozinho no elevador após a porta ser fechada. O equipamento parou no nono andar. Segundo a investigação, Miguel saiu da cabine, caminhou até uma área próxima aos aparelhos de ar-condicionado e caiu do prédio. Ele morreu ao dar entrada no hospital. Sari foi presa em flagrante e inicialmente autuada por homicídio culposo. Após pagar fiança, foi liberada. Em maio de 2022, foi condenada a oito anos e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte. Em Novembro de 2023, a pena foi reduzida para sete anos. A defesa recorreu, e o caso segue sem trânsito em julgado. Além do processo criminal, Sari e o ex-prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, também respondem a uma ação trabalhista relacionada à contratação de Mirtes e de sua mãe durante a pandemia. A família de Miguel chegou a obter decisão favorável com indenização de R$ 1 milhão, mas a medida foi suspensa pelo Superior Tribunal de Justiça em Setembro de 2024. Desde 2021, Mirtes cursa Direito para acompanhar de perto os desdobramentos do caso. Enquanto os recursos tramitam, ela segue cobrando que a condenação seja efetivamente cumprida.Fonte Justiça ao Minuto Noticias.

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